aí ele terminou a última página e fechou o livro.
depois jogou-o num buraco, tascou querosene e um fósforo aceso.
nada mais.
- ah, sem hipocrisia... eu já fiz isso também
Este não é um blog útil. Sem tutoriais, resenhas, receitas, dicas de viagens. É um diário, por falta de palavra melhor. Estou a (tentar) articular meus demônios, meus anjos, A deusa e a criatura pútrida que vivem em mim. Confusão, detatchment, lama, joy, apatia, covardia, desespero, hipocrisia, vontade, esperança. Já que quase nunca o caminho mais fácil me traz paz - a longo prazo. A lei da parcimônia não é lá muito minha amiga. Nada tão diferente de qualquer um por aí (jornada)
domingo, 26 de outubro de 2014
sábado, 25 de outubro de 2014
Taí, então tem um nome isso
Dissonância cognitiva.
"A dissonância pode resultar na tendência de confirmação, a negação de evidências e outros mecanismos de defesa do ego. (...)
Em defesa ao ego, o humano é capaz de contrariar mesmo o nível básico da lógica, podendo negar evidências, criar falsas memórias, distorcer percepções, ignorar afirmações científicas e até mesmo desencadear uma perda de contato com a realidade (surto psicótico)"
"A dissonância pode resultar na tendência de confirmação, a negação de evidências e outros mecanismos de defesa do ego. (...)
Em defesa ao ego, o humano é capaz de contrariar mesmo o nível básico da lógica, podendo negar evidências, criar falsas memórias, distorcer percepções, ignorar afirmações científicas e até mesmo desencadear uma perda de contato com a realidade (surto psicótico)"
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
"I was going to cry. I didn’t know why I was going to cry, but I knew that if anybody spoke to me or looked at me too closely the tears would fly out of my eyes and the sobs would fly out of my throat and I’d cry for a week. I could feel the tears brimming and sloshing in me like water in a glass that is unsteady and too full."
Sylvia Plath
Sylvia Plath
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
Putz, quer mesmo que eu faça isso? Meu chefe me mata se descobre... (sem ensaio, sem volta, sem take 2)
Por uma estrada bem movimentada, passava uma belina vermelha, conduzida displicentemente. Dirigindo este simpático automóvel, uma pessoa nada simpática tentava atinar com uma solução.
- O que vou fazer com essa porra desse cheiro? - de fora, parecia estar xingando o rádio.
Não havia o que fazer. Misturado a um quê de ocre e sal, aquele cheiro doce era impossível de ignorar. Vinha do banco de trás. Não daria para removê-lo tão cedo, tampouco em menos de uma hora, o tempo máximo que poderia demorar sem receber uma ligação de cobrança disfarçada de preocupação.
"Por que o maldito vidro tinha que quebrar?"
- Cacete de perfume barato! - um senhor no carro ao lado franziu o cenho e olhou com desdém, ao que foi respondido com um dedo do meio.
A belina pegou a saída mais inapropriada possível ao seu destino, tinha que demorar o que fosse para chegar. Não que iria ajudar grande coisa.
"Ah, foda-se. Não importa o que for, aquele encosto não vai me deixar em paz mesmo" Que uma vez ao menos fosse por um motivo não imaginário.
Olhou-se de soslaio no retrovisor. Moveu-o para ver a própria cara. Tinha uma folha de alguma coisa na mata fechada que era seu cabelo. Os olhos. Negros como piche. '- Cuidado com o abismo!', sua irmã costumava dizer. A idiota tinha os dela cor de mel, como os dos pais.
"Merda, eu devia ter bebido menos"
Pausa.
"Podia ter ficado pra falar bom dia". Não. Não mesmo.
No lábio superior ainda fresco um corte, sobra do 'primeiro round' da noite ávida, rápida e vazia. O segundo tinha sido num motel, cuja promoção do dia devia ser "Leve 2 pague 1: asco pós-coito e arrependimento absoluto por apenas $49,90". Provavelmente era isso que tava na placa na entrada. Difícil lembrar com a mão alheia entrando nas calças e uma obscenidade de álcool na circulação.
Parou no vermelho ao lado dum posto de combustível. O atendente ("que bossal") se atrapalhava com a bomba. Espirrou um bocado de gasolina na moto do freguês.
Uma ideia.
A belina vermelha deu uma guinada brusca sem a menor sinalização prévia, fechando um carro e quase atropelando um gato remelento ao entrar no posto.
- Ô, rapaz. Tu mesmo. - "minha cara ta aqui em cima, não nos meus peitos, cabaço"- Me faz um favor.
Ei-la: solução.
(até parece)
- O que vou fazer com essa porra desse cheiro? - de fora, parecia estar xingando o rádio.
Não havia o que fazer. Misturado a um quê de ocre e sal, aquele cheiro doce era impossível de ignorar. Vinha do banco de trás. Não daria para removê-lo tão cedo, tampouco em menos de uma hora, o tempo máximo que poderia demorar sem receber uma ligação de cobrança disfarçada de preocupação.
"Por que o maldito vidro tinha que quebrar?"
- Cacete de perfume barato! - um senhor no carro ao lado franziu o cenho e olhou com desdém, ao que foi respondido com um dedo do meio.
A belina pegou a saída mais inapropriada possível ao seu destino, tinha que demorar o que fosse para chegar. Não que iria ajudar grande coisa.
"Ah, foda-se. Não importa o que for, aquele encosto não vai me deixar em paz mesmo" Que uma vez ao menos fosse por um motivo não imaginário.
Olhou-se de soslaio no retrovisor. Moveu-o para ver a própria cara. Tinha uma folha de alguma coisa na mata fechada que era seu cabelo. Os olhos. Negros como piche. '- Cuidado com o abismo!', sua irmã costumava dizer. A idiota tinha os dela cor de mel, como os dos pais.
"Merda, eu devia ter bebido menos"
Pausa.
"Podia ter ficado pra falar bom dia". Não. Não mesmo.
No lábio superior ainda fresco um corte, sobra do 'primeiro round' da noite ávida, rápida e vazia. O segundo tinha sido num motel, cuja promoção do dia devia ser "Leve 2 pague 1: asco pós-coito e arrependimento absoluto por apenas $49,90". Provavelmente era isso que tava na placa na entrada. Difícil lembrar com a mão alheia entrando nas calças e uma obscenidade de álcool na circulação.
Parou no vermelho ao lado dum posto de combustível. O atendente ("que bossal") se atrapalhava com a bomba. Espirrou um bocado de gasolina na moto do freguês.
Uma ideia.
A belina vermelha deu uma guinada brusca sem a menor sinalização prévia, fechando um carro e quase atropelando um gato remelento ao entrar no posto.
- Ô, rapaz. Tu mesmo. - "minha cara ta aqui em cima, não nos meus peitos, cabaço"- Me faz um favor.
Ei-la: solução.
(até parece)
ta rose
'c'est le temps que tu as perdu pour ta rose qui fait ta rose si importante'
então não foi tempo 'perdido'
nesse sentido, prefiro a versão que diz 'dedicaste'
então não foi tempo 'perdido'
nesse sentido, prefiro a versão que diz 'dedicaste'
domingo, 19 de outubro de 2014
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