Lembro quando mandei aquele bilhete para tua irmã (que nunca conheci), instruindo-a a te cuidar direitinho e deixar sempre água fresca para ti.
Lembro de não conseguir ficar na tua presença sem sentir meu rosto arder e meu olhar nos tênis (por semanas de conflitos). Quem poderia imaginar que hoje você é família?
Lembro que queria parar de dançar naquela festa de 15 anos e encostar num canto à direita do teu braço quebrado; me faltou coragem.
Lembro do teu abraço feito de ternura depois de me dar um chaveiro de Vancouver. Esse abraço ainda está aqui comigo, sempre fazendo barulho quando abro minha porta no Imirim.
Lembro quando roubei teu estojo numa das infinitas práticas de eletroforese, e fugi para o banheiro feminino. Como se isso fosse te impedir. Me seguiste sem cerimônia e reclamaste o que era teu. Ainda reconheço o perfume que gastei metade como castigo por ter que te arrastar bêbado para fora da barraca alheia.
Lembro dos teus olhos no reencontro casual depois da minha frieza.
Lembro do teu tom de voz dias após aquela noite na beliche. Irônico. Quase rancoroso.
Lembro da tua confiança em ter me ganhado, naquele furor dentro da cabine do banheiro, duas criaturas distópicas no tempo, mas da mesma época. Freddie e hippie. Figures.
Lembro da minha descrença no fato de alguém como tu poder ter algum interesse por mim. Da minha reação orgânica quando deitaste a cabeça no meu colo e finalmente senti seus cachos. Do meu coração galopante quando pediste licença poética para sentar ao meu lado.
Lembro do teu gosto. Da tua voz repetindo "como faço....". Lembro de como foi adoravelmente complexo te acordar, mesmo querendo não fazê-lo, mesmo que o que eu tinha a dizer não fosse soar como o 'bom dia' que queria te dar. Lembro das tuas mãos geladas na sala de cinema. Principalmente, lembro como teu olhar faz tudo em mim virar cor, vontade e poesia.
Quero mais. Muito mais.
Lembrar aquece, mas não arde como a chama.
Este não é um blog útil. Sem tutoriais, resenhas, receitas, dicas de viagens. É um diário, por falta de palavra melhor. Estou a (tentar) articular meus demônios, meus anjos, A deusa e a criatura pútrida que vivem em mim. Confusão, detatchment, lama, joy, apatia, covardia, desespero, hipocrisia, vontade, esperança. Já que quase nunca o caminho mais fácil me traz paz - a longo prazo. A lei da parcimônia não é lá muito minha amiga. Nada tão diferente de qualquer um por aí (jornada)
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
terça-feira, 18 de novembro de 2014
por aquele que me fez olhar para fora de novo
Puta merda.
Posso me sentir alguém de novo.
Como posso ter tanta sorte?
Como posso estar à altura?
Quero fazer meu melhor de novo.
Fazia tempo.
Muito tempo.
Umas paredes de vidro reluzente.
Inúteis.
Vou atravessá-las?
Dúvida.
Preciso do outro?
Por que não sozinha?
Ficaria eternamente no passado se o agora não tivesse me presenteado?
No que estou me tornando?
Me moldando?
Me mudando?
É ruim?
É demais?
Até onde é demais?
A única certeza incerta: obrigada pelo hoje.
Vou tentar.
Posso me sentir alguém de novo.
Como posso ter tanta sorte?
Como posso estar à altura?
Quero fazer meu melhor de novo.
Fazia tempo.
Muito tempo.
Umas paredes de vidro reluzente.
Inúteis.
Vou atravessá-las?
Dúvida.
Preciso do outro?
Por que não sozinha?
Ficaria eternamente no passado se o agora não tivesse me presenteado?
No que estou me tornando?
Me moldando?
Me mudando?
É ruim?
É demais?
Até onde é demais?
A única certeza incerta: obrigada pelo hoje.
Vou tentar.
domingo, 9 de novembro de 2014
passagem de um diário antigo #6
"Como controlar o que me corrói? Esse ácido escorrendo, pingando lentamente dentro de mim, consumindo meus pensamentos, minha vontade, meu tempo. Sinto que sou de substância inesgotável, pois desde sempre e eternamente isso se passa aqui dentro. Sou quem não reconheço, me inconformo com o irreversível passado, me obceco com o inatingível futuro. Não qualquer futuro. Um só. Obsessão ácida, comendo pelas beiras um metal que já nem era de nobre estirpe para começo de conversa."
Abrasivo. Relentless.
Abrasivo. Relentless.
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