Como deve ser? Deitar-se, esperar o sono e adormecer sem ter todo e cada pensamento a te devorar?
Deito, apago aquela lâmpada vacilante, antes mesmo de encostar a cabeça ao travesseiro eles vêm.
Aquela desilusão que ainda arde e lateja feito marca incandescente no cerne da minha caixa-preta - amei?
Aquele medo ancião, me prendendo por implacáveis correntes a bolas de ferro avassaladoramente densas - me abrirei?
Aquela esperança meio afogada, por vezes conseguindo erguer-se do pântano de suas contrariedades para receber no rosto uma brisa tênue, que não tarda a cessar - mudarei?
Aquele incômodo constante, um zumbido, um chiado de interferência de sinal. Lembrando. Lembrando. Lembrando - acabarei.
Este não é um blog útil. Sem tutoriais, resenhas, receitas, dicas de viagens. É um diário, por falta de palavra melhor. Estou a (tentar) articular meus demônios, meus anjos, A deusa e a criatura pútrida que vivem em mim. Confusão, detatchment, lama, joy, apatia, covardia, desespero, hipocrisia, vontade, esperança. Já que quase nunca o caminho mais fácil me traz paz - a longo prazo. A lei da parcimônia não é lá muito minha amiga. Nada tão diferente de qualquer um por aí (jornada)
quinta-feira, 31 de julho de 2014
terça-feira, 29 de julho de 2014
passagem de um diário antigo #3
"Somou-se a esse pequeno progresso uma alegria besta, mas genuína, como se eu tivesse 5 anos de idade. Ontem mesmo, enquanto eu escrevia nas primeiras duas páginas of this very journal. Só uma agradável surpresa, de estar no mesmo recinto que alguém especial, de poder ver essa pessoa novamente e ouvir sua voz - e descobrir como ela soa em português, apreciar sua maneira de se expressar, a escolha das palavras, a entonação, a polidez. Em raras ocasiões encontrei alguém que me inspirasse uma admiração e afeição tão singulares. Alguém que te faz querer fazer parte de sua vida de alguma forma.
(...)
É bom ter um sentimento claro, limpo e bom de vez em quando, para nos lembrar que não somos só treva"
(...)
É bom ter um sentimento claro, limpo e bom de vez em quando, para nos lembrar que não somos só treva"
aquele dia em que...
você percebe que está no ponto de levar para o lado pessoal uma música do cpm22 que ouve tocar no mercado
(e não sabe se dá risada ou bate a própria cabeça na parede até largar mão de ser besta)
"Te ligar de madrugada sem saber o que dizer,
Esperando ouvir sua voz e você nem me atender,
Nem ao menos pra dizer:
Que não vai voltar,
Não vai tentar me entender,
Que eu não fui nada pra você,
Que eu deveria te deixar em paz"
eu realmente queria que ele tivesse de fato dito alguma dessas coisas, ao invés de silenciar
céus...onde vim parar?
(e não sabe se dá risada ou bate a própria cabeça na parede até largar mão de ser besta)
"Te ligar de madrugada sem saber o que dizer,
Esperando ouvir sua voz e você nem me atender,
Nem ao menos pra dizer:
Que não vai voltar,
Não vai tentar me entender,
Que eu não fui nada pra você,
Que eu deveria te deixar em paz"
eu realmente queria que ele tivesse de fato dito alguma dessas coisas, ao invés de silenciar
céus...onde vim parar?
segunda-feira, 28 de julho de 2014
passagem de um diário antigo #2
"- quando me sinto criança novamente, me recusando a des-cobrir os olhos enquanto o mundo não decidir se é sonho ou pesadelo (realidade não pode ser)
fingindo não saber que sou eu quem decide
fingindo não saber qual decisão vou tomar
nem que já foi tomada antes de eu estar aqui, cobrindo o rosto com as mãos para tentar anular o que me aflige
que aliás não tem nome nem forma; só presença esmagadora, como os monstros debaixo da minha cama em outros tempos
"Nós: espectadores sempre, em toda parte,
voltados para tudo, nunca para fora!" (Rilke)
c'est vrai
Ah, que se foda
Quer saber? Quero voltar. Mas é porque, na minha cabeça idiota, voltar = voltar para ele. Que baque será quando isso de fato não acontecer, mesmo eu já sabendo que não vai acontecer. Quanto mais durará a ilusão?
Pois vou voltar. Vou voltar. Não devia nem ter vindo.
A verdade é que sinto falta dos meus. Sinto falta de me sentir eu. Sufoco mais do que de costume aqui.
Sou péssima com crises de abstinência. Frek, nunca vou nem chegar perto de heroína na minha vida.
Quer saber? Quero voltar. Mas é porque, na minha cabeça idiota, voltar = voltar para ele. Que baque será quando isso de fato não acontecer, mesmo eu já sabendo que não vai acontecer. Quanto mais durará a ilusão?
Pois vou voltar. Vou voltar. Não devia nem ter vindo.
A verdade é que sinto falta dos meus. Sinto falta de me sentir eu. Sufoco mais do que de costume aqui.
Sou péssima com crises de abstinência. Frek, nunca vou nem chegar perto de heroína na minha vida.
red flag
Este sábado foi...intenso. Frustração. Talvez não a causa. The trigger.
De uma hora para outra, tudo o que eu tinha pensado e planejado pareceu virar fumaça. Eu estava (e estou) tão insatisfeita com a minha rotina, querendo tanto não estar em mim. Esse final de semana despontava como um pequeno bálsamo, um refugiozinho colorido. E as coisas foram complicando, dando errado. Como acontece tantas vezes na vida.
Mas particularmente nesse sábado, algo transbordou. No meio da tarde, me peguei chorando de pura raiva, sem saber do quê. Sentei no meu banheiro, olhando ao redor, as lágrimas escorrendo. Tudo o que passava pela minha cabeça era destruição: quis arrancar a pia com as mãos e espatifá-la no chão, jogar longe tudo o que estava ao meu alcance, derrubar minha estante, atirar a cadeira varanda afora, rasgar minhas roupas, comprimir meu corpo tão forte contra a parede até eu não sentir mais nada. Lágrimas sem soluço, sem fungar. Simplesmente escorrendo pelo rosto, e uma pedra na minha garganta. Eu tremia. Toda vontade me fugiu. Eu caía.
Coisas boas sobrevieram depois; a noite foi boa. No final do fim-de-semana, muitos obstáculos foram contornados.
Mas o que aconteceu me lembrou que algo está errado. Algo específico, não o geral "life sucks". Não quero estar onde estou, e acho que pelos motivos errados. Onde encontro coragem? Espero uma desculpa para ir embora. E se ela não vier? Continuo sendo desonesta comigo mesma...
O que fazer com essa sensação de que escolhi errado? de que na verdade não presto e não gosto do que me propus a fazer? Mudar é uma palavra tão pequena e tão colossal que tira meu fôlego.
O que me apavora é a sensação de que se eu estivesse em qualquer outro lugar, estaria me sentindo exatamente do mesmo jeito.
Sombra.
De uma hora para outra, tudo o que eu tinha pensado e planejado pareceu virar fumaça. Eu estava (e estou) tão insatisfeita com a minha rotina, querendo tanto não estar em mim. Esse final de semana despontava como um pequeno bálsamo, um refugiozinho colorido. E as coisas foram complicando, dando errado. Como acontece tantas vezes na vida.
Mas particularmente nesse sábado, algo transbordou. No meio da tarde, me peguei chorando de pura raiva, sem saber do quê. Sentei no meu banheiro, olhando ao redor, as lágrimas escorrendo. Tudo o que passava pela minha cabeça era destruição: quis arrancar a pia com as mãos e espatifá-la no chão, jogar longe tudo o que estava ao meu alcance, derrubar minha estante, atirar a cadeira varanda afora, rasgar minhas roupas, comprimir meu corpo tão forte contra a parede até eu não sentir mais nada. Lágrimas sem soluço, sem fungar. Simplesmente escorrendo pelo rosto, e uma pedra na minha garganta. Eu tremia. Toda vontade me fugiu. Eu caía.
Coisas boas sobrevieram depois; a noite foi boa. No final do fim-de-semana, muitos obstáculos foram contornados.
Mas o que aconteceu me lembrou que algo está errado. Algo específico, não o geral "life sucks". Não quero estar onde estou, e acho que pelos motivos errados. Onde encontro coragem? Espero uma desculpa para ir embora. E se ela não vier? Continuo sendo desonesta comigo mesma...
O que fazer com essa sensação de que escolhi errado? de que na verdade não presto e não gosto do que me propus a fazer? Mudar é uma palavra tão pequena e tão colossal que tira meu fôlego.
O que me apavora é a sensação de que se eu estivesse em qualquer outro lugar, estaria me sentindo exatamente do mesmo jeito.
Sombra.
sexta-feira, 25 de julho de 2014
quinta-feira, 24 de julho de 2014
mais um dia (que não foi só mais um dia)
Apesar dos últimos tempos me arrastando, hoje me senti até bastante leve. Não sei o que aconteceu de diferente. Talvez tenha sido a chuva. Amo a chuva, mesmo na metrópole, mesmo quando impede meu trabalho, mesmo quando me acorda à noite.
Só sei que foi um dia bom. Os melhores dias são quando sorrimos sós, gostoso e leve, sem obrigação de mostrar pra ninguém. Hoje perdi a conta de quantas vezes isso aconteceu. Não questiono. Aproveito.
quarta-feira, 23 de julho de 2014
passagem de um diário antigo #1
"Não tenho afinidade com viv'alma neste lugar. Toda hora fingimento, cautela, medo. Redoma, fofoca, resguarde. Me testam. Me testam. Me testam."
terça-feira, 22 de julho de 2014
and by people I mean...
"PEOPLE THINK THAT IF YOU LOVE SOMEBODY HARD ENOUGH THEN EVERYTHING IS JUST GONNA WORK OUT. PEOPLE ARE WRONG."
(sabedorias de tumblr)
(sabedorias de tumblr)
"Eu tive um sonho
Muitos soldados
Me procuravam dentro do
Meu prédio
E era preciso
Voar pelas escadas
Pra não deixar que eles
Chegassem perto"
(Kid Abelha)
Essas palavras suscitam uma sensação quase palpável de sonhos que de fato tive
Imaterialidade, ausência de peso, a gravidade nem detalhe é. O mesmo me acontece quando leio Douglas Adams on the art of flying
Dessas bizarrices sensoriais, minhas preferidas são quando, entre sono e vigília, o corpo é ilimitadamente expansível. Meus pés parecem galgar quilômetros de distância da minha cabeça. Essa, ora está enorme, do tamanho do universo (olhos quase escapando de órbita), ora encolhe, e não enxergo minhas próprias saboneteiras. Sinto que vou destruir minha cama como uma Alice que comeu algo só por que dizia "eat me". Logo após, encolho de tal maneira que temo não me encontrar nos lençóis. Meus braços aumentam de um tanto que podem ir e até a patagônia, aí sem aviso voltam num átimo, com força elástica tão colossal que se rebatem inteiramente para dentro do meu corpo.
E aquela sensação de cair... cair infinitamente... Desde criança, e para pânico da senhora minha genitora, quis pular de pára-quedas por conta dessa.
Imagino se a realidade se equipara ao sonho
(hah. me dou conta que essa última frase, lida assim só, encerra a raiz de muitos tormentos meus)
Muitos soldados
Me procuravam dentro do
Meu prédio
E era preciso
Voar pelas escadas
Pra não deixar que eles
Chegassem perto"
(Kid Abelha)
Essas palavras suscitam uma sensação quase palpável de sonhos que de fato tive
Imaterialidade, ausência de peso, a gravidade nem detalhe é. O mesmo me acontece quando leio Douglas Adams on the art of flying
Dessas bizarrices sensoriais, minhas preferidas são quando, entre sono e vigília, o corpo é ilimitadamente expansível. Meus pés parecem galgar quilômetros de distância da minha cabeça. Essa, ora está enorme, do tamanho do universo (olhos quase escapando de órbita), ora encolhe, e não enxergo minhas próprias saboneteiras. Sinto que vou destruir minha cama como uma Alice que comeu algo só por que dizia "eat me". Logo após, encolho de tal maneira que temo não me encontrar nos lençóis. Meus braços aumentam de um tanto que podem ir e até a patagônia, aí sem aviso voltam num átimo, com força elástica tão colossal que se rebatem inteiramente para dentro do meu corpo.
E aquela sensação de cair... cair infinitamente... Desde criança, e para pânico da senhora minha genitora, quis pular de pára-quedas por conta dessa.
Imagino se a realidade se equipara ao sonho
(hah. me dou conta que essa última frase, lida assim só, encerra a raiz de muitos tormentos meus)
o melhor presente
A coisa mais maravilhosa que consigo dar para alguém, a mais incrível e significativa, o presente mais verdadeiro e relevante que posso dedicar. Meu tempo. E eu junto dele.
Quando me esforço por e me dedico a alguém, quando passo meu tempo pensando numa pessoa e estando com ela.
Esse tempo não é recuperável, não há cartão reembolso. Se escolho estar contigo, não é à toa.
Quando me esforço por e me dedico a alguém, quando passo meu tempo pensando numa pessoa e estando com ela.
Esse tempo não é recuperável, não há cartão reembolso. Se escolho estar contigo, não é à toa.
por que escrevo quase tão somente quando me sinto angustiada?
quem pegar um caderno de pensamentos meus provavelmente terá uma impressão muito sombria desses labirintos mentais...
quem pegar um caderno de pensamentos meus provavelmente terá uma impressão muito sombria desses labirintos mentais...
Refleti sobre isso depois de ouvir (ou melhor, ler) um amigo meu comentando sobre como há um certo constrangimento em se escrever feliz alegre e contente. Sobre o que compartilhamos, o que deixamos por aqui.
No meu caso: trata-se de válvula de escape, plain as day. Quase sempre, não escrevo por prazer, por inspiração, para contar uma história, ou por achar que tenho talento. Não acho que o que faço é arte ou poesia. Mas o ato de expressar em palavras, de articular no papel, esse é uma necessidade. Escrevo porque preciso, já falei disso. Preciso tirar de mim coisas que me poluem como piche. Não que fique pura feito neve depois de escrever. Nem ao menos posso dizer que o tormento e a angústia encontram assim algum alívio. Quase nunca.
Porém, posso dizer que estou me esforçando para pegar a caneta mesmo quando nada me aflige. Estou tentando incluir naqueles cadernos cheios de medo, dor e self-loathing alguns momentos de amor e deslumbramento, alguns instantes de serenidade e contemplação, quando me ocorrem.
Nessas carcaças multi-facetadas que somos, há espaço para tudo. Posso ser alguém que quase não levanta da cama para trabalhar, paralisada pelo medo ou apatia. Posso dançar nua ao som de uma música imbecil qualquer do rádio. Posso odiar e hostilizar todos à minha volta e no mesmo dia ser um ombro amigo ou fazer minha mãe rir até doer a barriga. Posso escrever um artigo científico, uma carta multicolorida para uma amiga ou uma passagem erótica do meu caderno. Posso me entupir de lixo industrializado, ficar sem banho por dias e tomar porres homéricos sem sentido, passando a noite com quem nunca mais vi. Posso me alimentar da forma mais exemplar (e realmente apreciar a comida), fazer exercícios e me cuidar sem me sentir obrigada, quase como numa dessas revistas de dar ânsia que fazem “para mulheres”. Já fui e sou tudo isso, e muito mais.
Ainda assim a sensação de falta de propósito permeia a maior parte dos meus dias. Meu descrédito em mim mesma e nas minhas perspectivas futuras me atormenta. Minha solidão auto-imposta em meio a tantas pessoas que se importam comigo me sufoca. A falta de conexão, o desligamento.
Não penso que sou o primeiro ser humano a sentir isso, não é o suposto ineditismo das minhas emoções que me motivou a escrever esses posts.
Ah, a esperança de poder contribuir, de fazer alguma diferença... e a descrença de que isso seja possível...
O que estou tentando (mesmo mesmo) – especificamente com este blog – é ser mais franca, mais sincera. Todos carregam consigo máscaras, escudos e defesas. Os meus são tão reforçados, tão blindados - nunca entendi como me tornei assim. Por muito tempo acreditei que eu poderia resolver tudo comigo mesma, achando que tinha de ser capaz de resolver meus próprios labirintos. Mais gente na equação daria merda. Quanta ingenuidade. Como se a vida (estando sozinha ou não) fosse um puzzle com solução.
Sinto que preciso começar a mudar. Não mais essa rainha do ‘está tudo bem, I’ve got my shit together, I’m cool, sei exatamente o que estou fazendo’. Isso está me corroendo pouco a pouco. Essa covardia de falhar, medo de arriscar, de estar vulnerável. Essa hipocrisia, esse não viver o que digo. Esse não sentir.
Por que o blog com pseudônimo então? Cacete, nem sei o que pensar se alguém que me conhece pessoalmente me reconhecer aqui. Quem sabe eu toque um 'foda-se, fazer o quê?' ou (mais provável) eu fuja.
Baby steps. Bom, está tudo na minha cabeça. Talvez ninguém se incomode com isso. Talvez ninguém leia. Pode ser só uma lenga-lenga para a maioria. Pode não parecer grande coisa. Mas para mim é. ENORME. Vamos em frente.
Minha fragilidade e pequenez se provaram (e continuam a me assombrar) através da dificuldade que estou tendo em lidar com uma ruptura profundamente dolorosa, que não pode ser racionalizada ou guardada numa caixa. Arrasto uma âncora, uma esperança desiludida e delírios involuntários de que estarei com ele um dia novamente. Me dilacero entre culpa e dor, num ciclo vicioso de rememoração do que fiz e não devia, do que devia e não fiz, do que podia ter sido. Obcecada em alguns momentos, minha mente não descansa, se exaure. Me corrói o pensamento de que lhe fiz algum mal, minha vontade é sumir para que ele nunca mais me ache e na mesma medida desejo intensamente procurá-lo novamente.
E esse sentimento que ainda pulsa gloriosamente dentro de mim? Esse farol na névoa. Mas tudo o que pareço conseguir fazer é me afastar, me afastar... diminuir, diminuir. Até sumir. Será um dia o calor dissipado por essa distância impiedosa?
Isso dá pano pra manga. (e gola, capuz, saiote, fronha, enxoval...)
E esse sentimento que ainda pulsa gloriosamente dentro de mim? Esse farol na névoa. Mas tudo o que pareço conseguir fazer é me afastar, me afastar... diminuir, diminuir. Até sumir. Será um dia o calor dissipado por essa distância impiedosa?
Isso dá pano pra manga. (e gola, capuz, saiote, fronha, enxoval...)
Escrevo porque me parece a única escapatória de mim mesma. Um band-aid num membro amputado, mas impossível prescindir dele. Já escrevo há muitos anos, em cadernos, agendas, diários, folhas soltas ou não. Por que então mudei agora? A resposta que faz sentido para mim é difícil de admitir: em verdade, por que quero que alguém leia. Alguém fora de mim, alguém que não seja meu eu futuro. Se em todos esses anos, nada aprendi com meus registros, não posso esperar mais daqui para frente.
Mas custa expor-me. MUITO. Não quero que me vejam, que olhem para dentro de mim. Sou uma atriz sem a arte, covarde feito o quê. Não fico à vontade quando me elogiam numa foto bonita, mas não consigo deixar de pensar em emagrecer. Me policio rigidamente para não pré-julgar nem fazer assunções dos outros, mas me julgo, me julgo, me julgo, pensando a cada segundo no que estarão pensando de mim. Por fora dando discurso de foda-se a opinião de todos, por dentro escondendo tudo o que posso. Odeio que especulem sobre minhas emoções, me aprisiono numa redoma fria pintada de fogo, para que achem que estou bem. Mas em geral não estou.
Mas custa expor-me. MUITO. Não quero que me vejam, que olhem para dentro de mim. Sou uma atriz sem a arte, covarde feito o quê. Não fico à vontade quando me elogiam numa foto bonita, mas não consigo deixar de pensar em emagrecer. Me policio rigidamente para não pré-julgar nem fazer assunções dos outros, mas me julgo, me julgo, me julgo, pensando a cada segundo no que estarão pensando de mim. Por fora dando discurso de foda-se a opinião de todos, por dentro escondendo tudo o que posso. Odeio que especulem sobre minhas emoções, me aprisiono numa redoma fria pintada de fogo, para que achem que estou bem. Mas em geral não estou.
Inauguração de um projeto pessoal. Projeto de última hora, uma ideia, um desespero, algo.
Como explico?
Já aviso, isso não é um blog útil, não vou passar tutoriais, fazer resenhas, dar receitas nem dicas de viagens.
Isso é um diário, por falta de palavra melhor.
Essa vontade de (tentar) articular meus demônios, meus anjos, A deusa e a criatura pútrida que vivem dentro de mim. A confusão, the detatchment, a lama, the joy, a apatia, a covardia, a esperança, o desespero, a hipocrisia, a vontade.
Nada muito diferente de qualquer um por aí.
(jornada)
Como explico?
Já aviso, isso não é um blog útil, não vou passar tutoriais, fazer resenhas, dar receitas nem dicas de viagens.
Isso é um diário, por falta de palavra melhor.
Essa vontade de (tentar) articular meus demônios, meus anjos, A deusa e a criatura pútrida que vivem dentro de mim. A confusão, the detatchment, a lama, the joy, a apatia, a covardia, a esperança, o desespero, a hipocrisia, a vontade.
Nada muito diferente de qualquer um por aí.
(jornada)
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